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horas extra

Blog de escrita nas horas extra dos dias

horas extra

Blog de escrita nas horas extra dos dias

#Viver é cada vez mais uma sorte

Susan Sontag no seu Olhando o sofrimento dos outros, Quetzal, 2015, aborda o papel do "espetador de calamidades".

Infelizmente somos agora todos espetadores de calamidades por constante divulgação de imagens, de palavras, de sons, de registos de factos trágicos.

Se há mais de um mês a falta de meios, de coordenação, o pânico, as situações meteorológicas, causaram  tragicamente a perda de  vidas em Pedrógão Grande, hoje um acidente de avião numa praia colheu (inacreditavelmente) pessoas que estavam a aproveitar um simples dia de Verão.

Pode, de facto, acreditar-se numa linha ténue do acaso, incontrolável e desconhecida, mas, ao mesmo tempo, pode questionar-se se a incúria pode aparecer aos olhos de quem observa, testemunha in loco, como um mero acaso.

@mmalheiro

# A vida em modo economia

A vida

em modo Economia

poupa-te lá

poupa o coração

poupa o corpo

as pernas

a estrutura

 

A vida em modo Economia

poupa lá a má disposição

sorri sempre

mesmo que chova

mesmo que sejas chuva

 

 

não te desperdices

com o que não interessa

À matéria coletável

 

sopra a imaterialidade para o lado

assobia  ao deve e o haver dos dias

não contabilizes os dias maus

poupa as palavras

gasta apenas as necessárias

apaga os verbos incontáveis

em suma

não somes

ufa!

uma chatice a vida em Economia!

sorve os cálculos todos, a trigonometria, a Física Quântica, a Filosofia, a Literatura

soma

soma sempre

acumula tempo, Amor, sabedoria!

@mmalheiro

 

 

diminui

# Da ténue noção da normalidade

Apercebemo-nos em dias de chuva estranhos de que há quem nos rodeie sem a ténue noção da normalidade.

Passar para além dessa linha é o tempo de acender um fósforo . Resulta numa fogueira de violência.

Questionamo-nos, então, se valerá a pena o caminho que temos percorrido até agora.

O idealismo ficou lá atrás. quase vinte anos .

@mmalheiro

 

# Um nicho de mercado chamado Homem

5b6ac6fdd2e6ed52ede0884c541082b3.jpg                                             foto de blog.brancoprata.com

a ideia central que subjaz a toda a criação empreendedora é a inovação; um nicho de mercado intocado e lucrativo. junte-se agora também a ideia da utilidade , usabilidade e acessibilidade e aguarde-se o fervilhar do negócio. para isso é precisa uma extrema resiliência e capital q.b. .

neste momento, criar tudo o que facilite a vida ao Homem, mesmo que não precise nem tenha pensado nisso, é a chave de tudo. [ como se fosse necessário pensar constantemente na utilidade das coisas e não apenas vivenciá-las.] paradoxalmente criar produtos de facilitação diminui exponencialmente a empregabilidade.

[ precisaremos de tanta coisa? criar significados, dizia um poeta, é vital. criar postos de trabalho, acrescento, é o fio de prumo da economia. tem de ser.]

ainda bem que alguém inventou a música, sempre a criar significados em nós.

@mmalheiro

 

# Da transversal à avenida da liberdade

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                                 [O tempo corre lesto. Há, no entanto, falhas cansativas no sistema criado por outros, afetando o ritmo circadiano dos dias. A viagem prossegue até ao próximo semáforo. Sempre verde, espera-se.]

@mmalheiro

# Da cotação de um trabalhador em Portugal

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                                  Foto Artur Pastor ( Douro)

                                 Há dias diziam-me que era absolutamente normal um trabalhador licenciado ter uma remuneração mensal de 600 euros. Normal não é. Talvez seja neste país em que se pratica cada vez mais aquilo que é denominado de "dumping laboral", o pagamento ao mais baixo custo possível.

Pensei, então, que tal como existe um "mercado" para os jogadores de futebol, os atletas mais bem pagos de sempre, qual será a cotação "em bolsa" de um trabalhador licenciado, com 4 ou 6 anos de estudo, versão pré-Bolonha e quase 20 anos de trabalho efetivo.

Qual será a cotação em bolsa de trabalhadores de quase 50 anos com precariedades laborais e imensa experiência de vida? Qual será a cotação em bolsa de jovens de 25 anos em permanentes estágios de inserção ( bolsa-emprego)?

Algo tem de ser mudado no Direito do Trabalho em Portugal, a bem de uma bolsa de valores verdadeiramente robusta  para todos os trabalhadores, de todas as idades e categorias profissionais.

@mmalheiro

 

# Dançar na corda bamba

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                           às vezes é verdadeiramente revoltante viver neste país: um sistema de gestão de recursos humanos, de gestão de processos claramente falho. diferentes sistemas informáticos, diferentes metodologias de trabalho, plataformas de vida profissional diferenciadas e claramente decadentes em alguns setores. onde está a inovação e agilização dos processos, onde ficou a noção de pensar no funcionário/ no colaborador em mais do que uma pessoa com um código de barras, um número interno como pessoa numa sociedade? onde ficou a noção de que um trabalhador é um ser humano e de que é possível pensar a gestão de processos muito para além da mediania?

às vezes é verdadeiramente revoltante viver neste país.

@mmalheiro

 

# Da gestão do caos

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                                                              in allposters.br

[ interrupção breve da sabática de escrita estival:. para se gerir o caos em qualquer situação, quer seja num aeroporto internacional, quer seja numa empresa, numa casa ou na vida diária, tem de se ter uma "inteligência lisa" como a água "lisa" ,sem ondulação, do mar.

Assisti um dia à gestão do caos numa loja de uma grande empresa, por parte de um CEO que passava por ali, por mero acaso. Em 10 minutos ficou tudo resolvido. Simples.]

As únicas coisas que evoluem por vontade própria numa organização são a desordem, o atrito e o mau desempenho.

Peter Drucker

@mmalheiro

# Da Física ( feat. The Cure)

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                                         Foto de Hubpages

                                        um brinde à Física que embala no seu Caos um encontro de almas.

                                        [ ao J. , com amor].

                                        @mmalheiro

# Dos dias circunscritos

Há dias em que as palavras são parcas para as emoções "circunscritas" a territórios, gentes, que perdem os seus haveres, as suas casas, os seus animais, pelo fogo que outros plantam, em loucura,  devendo ficar em prisão preventiva.

Os paraísos são terra queimada agora. Sem palavras e sem música.

Homenagem sentida a todos os que combatem as chamas neste momento, abandonando postos de trabalho, em prol de um dever maior e aos que perderam a sua tranquilidade, agora circunscrita, por todo o país, em particular à ilha da Madeira.

Por isso, siga aqui o Blog "Vida de Bombeiro" que divulga tudo o que estes "guerreiros" estão neste momento a viver.

Bem Hajam.

@mmalheiro