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horas extra

Blog de escrita nas horas extra dos dias

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Blog de escrita nas horas extra dos dias

# A vida em modo economia

A vida

em modo Economia

poupa-te lá

poupa o coração

poupa o corpo

as pernas

a estrutura

 

A vida em modo Economia

poupa lá a má disposição

sorri sempre

mesmo que chova

mesmo que sejas chuva

 

 

não te desperdices

com o que não interessa

À matéria coletável

 

sopra a imaterialidade para o lado

assobia  ao deve e o haver dos dias

não contabilizes os dias maus

poupa as palavras

gasta apenas as necessárias

apaga os verbos incontáveis

em suma

não somes

ufa!

uma chatice a vida em Economia!

sorve os cálculos todos, a trigonometria, a Física Quântica, a Filosofia, a Literatura

soma

soma sempre

acumula tempo, Amor, sabedoria!

@mmalheiro

 

 

diminui

# Dá -me sono a Economia ( feat. Dave Mathews Band)

 dá-me sono a Economia,

 o PIB, o IRS,

a mais-valia

dá-me sono o saldo, o crédito, o débito,

os lucros, o déficit, o superavit,

a revitalização dos dias

 

dá-me sono Keynes e toda a teoria,

a troika, os orçamentos gerais de Estado,

o estado da minha bolsa, da tua, e da Maria,

não quero saber de corretagem,

do Dow-Jones, do índice que ostentas  a meio do dia, 

 

dá-me sono o deve e o haver,

a conta 33,

os fluxos de caixa,

os balancetes,

o Razão, 

o report, o Relatório anual de contas

das minhas  horas, sonhos, tristezas e alegrias, tuas e dos outros

 

desperta-me o homem social, a liberdade, a alegria,

a equidade, o salário justo, a regalia, a poesia,

o trabalho valorizado, os abonos sociais,

os valores sem mercado cambial, o amor com cotação alta, a amizade sem taxa de juro,

a microeconomia.

@marinamalheiro

https://www.youtube.com/watch?v=JphjsCqsZ4Q&index=12&list=RDBQc39GL9_Ws&hd=1

Dave Mathews Band ( all rights reserved to the magnificent Dave Mathews Band)

 

 

# O amor em gavetas ( feat. the magnificent Dave Mathews Band)

1daf1fc7f11dd0fe7603664431c19538.jpg

 From the Soul, tango dancers in Buenos Aires, black and white photo, interior art, 12 x 18 inch print.

via Pinterest

 

O

Amor

em 

gavetas

não funciona.

 

O

Amor

em 

videiras

amadurece.

 

É Vinho novo.

Sempre:

Música, ritmo, vibração contente.

https://www.youtube.com/watch?v=URTq-94fZ6w&index=2&list=RDBQc39GL9_Ws&hd=1 Dave Mathews Band ( all rights reserved)

@mmalheiro

 

 

 

 

# Um dia hei-de ver se me levanto cedo/ para apanhar o mundo de janelas fechadas ( A.O'Neill)- featuring the magnificent Divine Comedy

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                       Marginal, 16 de agosto 2015- Foto MMalheiro. ( edição IOS)

                       em dias de O'Neill e de carpe diem.

                                                                        Poema

                          " Um dia hei-de ver se me levanto cedo

                           para apanhar o mundo de janelas fechadas

                          a relva molhada cheia de gotas de água,

                          as bicicletas dos operários suburbanos,

                          o bafo dos burros das carroças das couves,

                          e o último poeta, coberto de orvalho,

                          trazendo um soneto e a noite em claro,

                         do último candeeiro iluminado. (...)

                                              Alexandre O'Neill in Oliveira, Maria Antónia, Alexandre O'Neill, Uma biografia literária, D. Quixote, 2ª edição, 2007 

                      [ a todos os que um dia gostariam de se levantar cedo e agarrar os dias...]

                         @marinamalheiro

 

# Ítaca ( aos bravos gregos)

Ítaca

 

 

Quando abalares, de ida para Ítaca,

Faz votos por que seja longa a viagem,

Cheia de aventuras, cheia de experiências.

E quanto aos Lestrigões, quanto aos Ciclopes,

O irado Poséidon, não os temas,

Disso não verás nunca no caminho,

Se o teu pensar guardares alto, e uma nobre

Emoção tocar tua mente e corpo.

E nem os Lestrigões, nem os Ciclopes,

Nem o fero Poséidon hás­‑de ver,

Se dentro d'alma não os transportares,

Se não tos puser a alma à tua frente.

 

Faz votos por que seja longa a viagem.

As manhãs de verão que sejam muitas

Em que o prazer te invada e a alegria

Ao entrares em portos nunca vistos;

Hás­‑de parar nas lojas dos fenícios

Para mercar os mais belos artigos:

Ébano, corais, âmbar, madrepérolas,

E sensuais perfumes de todas as sortes,

E quanto houver de aromas deleitosos;

Vai a muitas cidades do Egipto

Aprender e aprender com os doutores.

 

Ítaca guarda sempre em tua mente.

Hás­‑de lá chegar, é o teu destino.

Mas a viagem, não a apresses nunca.

Melhor será que muitos anos dure

E que já velho aportes à tua ilha

Rico do que ganhaste no caminho

Não esperando de Ítaca riquezas.

 

Ítaca te deu essa bela viagem.

Sem ela não te punhas a caminho.

Não tem, porém, mais nada que te dar.

 

E se a fores achar pobre, não te enganou.

Tão sábio te tornaste, tão experiente,

Que percebes enfim que significam Ítacas.

Konstantin Kavafis

ao povo grego que ontem mostrou claramente a força helénica diante da Europa 

@mm

 

 

# Os bárbaros chegam hoje ( Kavafis)

“O que esperamos na ágora reunidos?
É que os bárbaros chegam hoje.

Por que tanta apatia no senado?
Os senadores não legislam mais?
É que os bárbaros chegam hoje.

Que leis hão de fazer os senadores?
Os bárbaros que chegam as farão.

Por que o imperador se ergueu tão cedo
e de coroa solene se assentou
em seu trono, à porta magna da cidade?
É que os bárbaros chegam hoje.


‘O nosso imperador conta saudar
o chefe deles. Tem pronto para dar-lhe
um pergaminho no qual estão escritos
muitos nomes e títulos.

Por que hoje os dois cônsules e os pretores
usam togas de púrpura, bordadas,
e pulseiras com grandes ametistas
e anéis com tais brilhantes e esmeraldas?
Porque hoje empunham bastões tão preciosos
de ouro e prata finamente cravejados?

É que os bárbaros chegam hoje,
tais coisas os deslumbram.

Por que não vêm os dignos oradores
derramar o seu verbo como sempre?

É que os bárbaros chegam hoje,
e aborrecem arengas, eloqüências.

Por que subitamente esta inquietude?
(Que seriedade nas fisionomias!).
Por que tão rápido as ruas se esvaziam
e todos voltam para casa preocupados?

Porque é já noite, os bárbaros não vêm,
e gente recém-chegada das fronteiras
diz que não há mais bárbaros.

Sem bárbaros o que será de nós?
Ah! Eles eram uma solução”.

K. Kavafis, "Á espera dos bárbaros"

https://www.youtube.com/watch?v=uoPzrGBjzxQ&hd=1 André Rieu e Trio de S.Petersburgh

@marinamalheiro

# Os dias do futuro erguem-se diante de nós (Kavafis)

em dias Gregos, em que todos aguardamos um bom desfecho, pacífico e a  sólido contento de todos, este poema de Kavafis faz todo o sentido....

Leia também aqui  opiniões interessantes e sem recreio sobre a Grécia.

 

VELAS


Os dias do futuro erguem-se diante de nós
como uma série de pequenas velas acesas - 
pequenas velas douradas, quentes e vivas.


Os dias passados ficam atrás,
uma triste fileira de velas apagadas;
as mais próximas ainda exalam fumaça,
velas frias, derretidas e recurvadas.


Não quero vê-las; entristece-me seu aspecto,
e entristece-me lembrar seu primeiro clarão.
Adiante contemplo minhas velas acesas.(...)


K. Kavafis

@mmalheiro