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horas extra

Blog de escrita nas horas extra dos dias

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# Apologia do professor polivalente

no final deste mês haverá uma greve geral da função pública, à qual se juntaram os professores.

de facto, a situação da classe docente anda , já não por ruas, mas por travessas de amargura.

em 2011, o então PM português incitou à emigração e à polivalência. assim foi. perderam-se milhares de professores contratados para outras funções. trabalham  agora em empresas, bancos, imobiliárias, hospitais.

de acordo com dados no Blog de Arlindo, o maior "bolo" de contratados encontra-se na faixa 35-45 anos. no primeiro ciclo existem professores com menos de 30 anos mas são poucos.

não se compreende porque não se efetivam estes professores , dando-lhes estabilidade financeira, emocional e dando estabilidade  ao corpo docente das próprias escolas.

neste momento, as regiões do Algarve e de Lisboa continuam a registar falta de professores. nalguns casos já estão a ser contratados apenas Licenciados sem experiência de ensino, tal como acontecia nos anos 80.

numa nota informativa do MEC dá-se autorização para que professores de línguas deem Português, os de História, Geografia, etc. nota-se que há uma carência enorme de professores de inglês, português, geografia e tic.

como resolver? dando lugares de provimento a milhares com mais de 10 anos de serviço, por exemplo e considerando a importância / papel fundamental do professor na sociedade.

sem isso, pode haver o programa "Volta" mas ninguém voltará de mãos vazias ou cheias de nadas.

@mmalheiro

 

publicado às 00:17

# Das sementes de violência num país chamado Portugal

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Numa semana em que foram vários os casos de violência contra médicos em centros de saúde e hospitais, veio parar-me aos "olhos" ( Crónica de MEC no Público de hoje) uma reportagem sobre um bailarino homossexual que acabou os seus dias no Hospital Miguel Bombarda em Lisboa por culpa do regime salazarista. Foi sujeito a uma lobotomia- tratamento criado por Egas Moniz que lhe trouxe um prémio Nobel-e foi uma vítima até ao fim.

O antigo "Rilhafoles" foi palco de uma tragédia em 1910,  quando o médico Dr. Miguel Bombarda foi alvejado por um doente "louco", oficial do exército,  2 dias antes  do 5 de outubro.Acabaria por morrer no hospital de S.José. 

Saúde mental e violência são temas pouco abordados em Portugal. Os casos de violência para com médicos, professores são reveladores de uma sociedade violenta e com problemas de saúde mental. Reclamar de um serviço público é possível- está lá o livro de reclamações.

Atirar mesas, cadeiras, partir telemóveis e teclados, esmurrar professoras grávidas, atropelar propositadamente professores, encurralar médicos em gabinetes e feri-los de tal maneira que necessitam de procedimentos cirúrgicos é gravíssimo. Os serviços públicos estão com falta de pessoal, de meios para trabalhar, de boa gestão de serviços ( o Ministro Santos Silva referiu-se aos maus gestores nas empresas, faltam muitos e bons gestores de recursos humanos nos serviços públicos, provavelmente em todos os setores). Hoje um hospital da área de Lisboa está com "constrangimentos"- 9h de atraso para atendimento de doentes com pulseira verde ( menos urgentes), estando os doentes a ser encaminhados para outros hospitais.

O excedente do défice orçamental de Centeno conduz a este caos. Contratando mais pessoal, quer para os hospitais, USF, escolas, serviços administrativos vários do Estado- nomeadamente Segurança Social- e até colocando algo tão simples como cadeiras em Bancos estatais ( estive numa sucursal que tem 6 cadeiras apenas para uma vasta população, a maioria idosa), regularizando processos do Simplex de Mariano Gago, mas, sobretudo, analisando socialmente uma população mentalmente doente , talvez o país entre num rumo "normal". Nada disto é normal. 

Saúde, Educação, Administração Interna , Economia são como "órgãos em falência" num corpo moribundo chamado Portugal. 

Para consulta fica aqui o Relatório da Faculdade de Medicina da Universidade Nova de Lisboa sobre a Saúde Mental e um artigo de Tiago Santos ( 10/10/2019/ Público) sobre o estado da Saúde Mental em Portugal.

@mmalheiro

[Nenhum político deve esperar que lhe agradeçam ou sequer lhe reconheçam o que faz; no fim de contas era ele quem devia agradecer pela ocasião que lhe ofereceram os outros homens de pôr em jogo as suas qualidades e de eliminar, se puder, os seus defeitos.]

Agostinho da Silva

 

publicado às 22:04

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