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# Dias de guerra a um inimigo invisível

 22 de Janeiro 2021

2º Confinamento Geral. , Cascais

Uma semana após o novo Confinamento, uma semana depois de ser das poucas da minha rua a sair ,ainda em manhãs de breu, as escolas fecharam e voltámos para casa.

Um alívio e uma pena, ao mesmo tempo. Tentámos todos, professores, alunos, auxiliares,diretores, que a gestão da pandemia nas escolas corresse bem. Achei admirável a capacidade de resistência dos miúdos mais novos e a sua adaptação a este "novo normal" que é tão estranho. Semana após semana fomos ouvindo ou que miúdos ou turmas ou colegas tinham ido para casa,em isolamento profilático, infetados, não infetados. Habituámo-nos à terminologia "Covid"- baixo risco, alto risco, teste PCR, etc

No entanto, testagem em massa não houve. Enquanto fui sabendo que entidades bancárias ou empresas , sabendo que um colaborador estava infetado, mandavam os colegas de equipa todos para casa, em isolamento profilático e submetiam-nos a testes PCR, connosco isso não aconteceu.

Uma turma, um aluno, um colega professor , infetados, e os professores continuaram todos em serviço, tendo que colocar trabalhos na aula virtual. Na véspera do encerramento das escolas, verificámos acessos à sala virtual e um dos alunos dizia se teria alucinado, se era verdade que  nos vinham testar. Falam-me em gestão de risco, dizem-me que isto é como um terramoto na vida de todos. Gestão estratégica é o que falha: prever como o inimigo invisível vai atacar é essencial.

Lisboa

No elevador do hospital somos quatro, todos de máscaras cirúrgicas. Menos gente. Voltou o medo.

O parque está vazio, as cadeiras do café estão empilhadas, a igreja fechada.

Estamos em guerra contra um inimigo invisível: já morreram mais pessoas do que na Guerra Colonial, novos e velhos, de todas as classes sociais e socioprofissionais. Lembro-me da minha aluna, infetada em início de dezembro, enervada e com medo, agora, de uma reinfeção pela nova estirpe inglesa. Alguma imunidade deves ter, digo-lhe. Suspira, aliviada. Outra , triste pela avó que morreu desta doença há um par de dias e que foi só, sem homenagens devidas.

Volto às máscaras bico de pato , as P2, e reparo que em meu redor , no hospital e na rua, ficamos todos com esta hibridez; humano e animal. Voltámos a março de 2020.

Leio papers de revistas científicas para tentar perceber como é que este inimigo se movimenta nas nossas vidas e em todo o lado.

Guardo as palavras de um jornalista desportivo, já de idade, que numa entrevista televisiva diz : "Deixe-me ter esperança, deixe-me acreditar" e as do meu filho mais novo, de terna idade, que quando o pai chega diz "Tira a máscara, pai".

@marinamalheiro

publicado às 23:36

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