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horas extra

Blog de escrita nas horas extra dos dias

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Blog de escrita nas horas extra dos dias

# Do Jogo ( feat. London Grammar)

O lugar-comum da "vida é um jogo" aplica-se literalmente por estes dias e não é preciso ser-se o génio matemático que inventou a teoria dos jogos ou o físico que se interessa pelo efeito borboleta.

No entanto, mais do que a beleza das leis da Física e  de tudo o que a Ciência comporta, a vida dos outros é cada vez mais regida pelos outros acima, pelos que, como num jogo de futebol chutam para fora ou para canto, evitando grandes penalidades.

É isso que acontece neste momento em que se constroem muros de arame farpado pela Europa, em que crianças refugiadas morrem na praia ou em camiões na estrada a caminho de um destino livre.

Os de cima chutam para canto ou olham passivamente para o ar, para ver para onde vai cair a bola. Provavelmente para o lado da Economia.

Prefiro as grandes penalidades ou os remates a sério, sem mão alheia na vida: esse é o jogo que importa.

https://www.youtube.com/watch?v=AOGPCFAGobs&hd=1 Wicked game cover pelos excelentes London Grammar , 2013 ( all rights reserved to London Grammar)

@marinamalheiro

 

 

# A meu favor ( a Alexandre O'Neill)- feat. Vinicius de Moraes

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                                  Remington portátil.

em dias de leitura terminada da biografia literária de Alexandre O'Neill (Oliveira, Maria Antónia, Alexandre O'Neill, D.Quixote 2ª edição, 2007), um dos meus poetas preferidos, controverso no meio literário português mas genial como criativo publicitário, escritor, tradutor,guionista, letrista, etc,  deixo aqui este seu poema, com música do seu grande amigo, Vinicius de Moraes:

(Descubra neste Blog outros poemas deste magnífico poeta.)

A meu favor
Tenho o verde secreto dos teus olhos
Algumas palavras de ódio algumas palavras de amor
O tapete que vai partir para o infinito
Esta noite ou uma noite qualquer

A meu favor
As paredes que insultam devagar
Certo refúgio acima do murmúrio
Que da vida corrente teime em vir
O barco escondido pela folhagem
O jardim onde a aventura recomeça.

A meu favor tenho uma rua em transe
Um alto incêndio em nome de nós todos

Alexandre O'Neill ( todos os direitos reservados a herdeiros de Alexandre O'Neill)

- escute Vinicius aqui ( Samba da Bênção)

@marinamalheiro

# A economia e as zonas de conforto (feat. Neil Young)

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                                             Perguntava-me uma criança de tenra idade o que era uma zona de conforto. Respondi que era um sítio / uma situação segura, sem riscos.

Sair dessa zona de conforto varia de pessoa para pessoa. Há coisas simples que se podem fazer e que não envolvem grande condicionamento económico , como, por exemplo, ir beber um café à nova pastelaria do bairro em que se vive.

A economia condiciona fortemente a saída da zona de conforto, o risco na criação de um primeiro negócio, de empreender com os pés no chão português uma ideia, uma viagem à Índia ou China, o MBA ou a Pós-Graduação almejada nos Estados Unidos.

Há claramente, para além deste condicionamento real ( basta ver os números de desemprego do INE), o condicionamento do próprio carácter, nem todos têm coragem para sair do país, por exemplo. - deixar tudo para trás, família e amigos e partir, sabendo que poderão não regressar porque simplesmente não há crescimento económico, à excepção de algumas áreas.

E se alguns oferecem ilhas e doações a um IPO que necessita de milhares de euros para os seus utentes e não apenas de trocados, outros são gestores de risco ou das suas zonas de conforto de forma permanente, em virtude da crise económica e das políticas de "terra queimada".

Algo está claramente errado no Reino da Dinamarca...

Valha-nos o bom sol.

@marinamalheiro

 

 

 

# Apologia da desburocratização dos dias ( feat. M.Nyman)

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                       Kontakthof. PINA BAUSCH

                      Ontem milhares de professores contratados andaram em absoluto stresse, no último dia de mais um concurso de professores baseado na "prova material". A uma hora do final do concurso foi emitida uma nota informativa a desburocratizar. Muitos votos em outubro seguirão outro caminho, claramente.

                      @mm

 

# Da política da avestruz e da terra queimada

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                           Foto de Robert Doisneau, 1949, Parque de bicicletas

                           É Verão e, apesar dos dias mornos, em que apetece desligar e não pensar em nada, dando descanso às "sinapses", não se pode adotar uma política de avestruz e esquecer a crise que o país atravessa. Ainda falta muita limpeza de "Verão", muita criação de postos de trabalho, oportunidades para novas empresas ou PME, reestruturar setores- chave como a Educação e Saúde. Muitos eteceteras.

Hoje alguém me dizia que os setores não se resumiam às áreas mas às pessoas, que as pessoas também estavam paradas, estagnadas, sem rumo. É verdade. Já partiu 20% da população para o estrangeiro.

Quantos mais partirão?

Não se pode adotar a política da terra queimada - do vamos lá " dar cabo do sistema todo", arrasar aquilo que é importante, naquela que é a ideia-chave neoliberal, em prol da Economia, uma economia que identifica as pessoas como números, sem nome, sem identidade.

Todos somos pessoas , estando muitas já nos planos "E" ou "F" das suas vidas.

Quantos mapas de vida precisarão milhares de portugueses de fazer depois dos dias mornos? 

Quantas vezes terão de escutar esta música?

@marinamalheiro