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Blog de escrita nas horas extra dos dias

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A expressiva greve geral

Fiz parte dos 3 milhões de portugueses que aderiram à greve geral de 5ª feira passada.

Não foi uma decisão tomada de ânimo leve.  Sou filha de duas pessoas que, em 1976,  estiveram à frente de um sindicato e assinaram os primeiros contratos coletivos de trabalho.

Aprendi , desde cedo, estas noções dos direitos do trabalho, das liberdades e garantias. 

Em 1984 , sem direito a subsídio de desemprego ( ainda não havia), o meu pai foi despedido sem justa causa.

Era criança e não percebia por que motivo o meu pai estava tão triste. Era diretor comercial de uma empresa. 

Foi  a minha mãe que respondeu aos anúncios de emprego por ele. Foi-lhe diagnosticada uma depressão grave. 

Felizmente, dado o seu curriculum e atividade laboral, em poucos meses voltou a trabalhar como chefe de contabilidade. 

A minha mãe foi das primeiras técnicas oficiais de contas após o 25 de abril, o que constituiu uma vitória perante a desigualdade na profissão.

Eu, como professora, fui contratada mais de 20 anos porque não abriam vagas reais para o meu grupo de recrutamento. Agora estou, como muitos professores, na via do acelerador da progressão da carreira ( tenho muito tempo de serviço congelado).

1 Licenciatura e 3 Pós-Graduações depois, sou mal paga, comparativamente ao que auferia só a dar Formação em 2007, por exemplo.

Constato com esta proposta do Pacote Laboral que um dos meus filhos poderá ter novamente uma vida de precariedade em Portugal como eu tive, não podendo com isso adquirir uma casa , p. exemplo, dado que quem tem contratos precários, a termo, a prazo, como se quiser designar, é persona non grata para uma entidade bancária.

O despedimento sem justa causa, sem reintegração do trabalhador, o banco de horas, a perda do horário flexível , o trabalho noturno e aos fins de semana, parecem-me claramente um retrocesso na legislação laboral atual e pós-25 de abril.

Portanto, mesmo sabendo que um dia de greve é um corte no vencimento, não poderia, não posso, por mim, pelos meus, pelos que me rodeiam, ficar indiferente. Por isso, fiz greve e farei sempre que for necessário.

Aos meus pais, in memoriam.

@mmalheiro

 

 

 

publicado às 14:47

# O colega "mata-borrão" no local do assédio laboral

Há locais de trabalho altamente tóxicos, não só por causa de chefias autoritárias mas também por causa de maus colegas de trabalho.

Ouvia na rádio há dias que os RH nos EUA são muito escrupulosos, até em concertos de música...

Neste momento, sinto que há colegas "mata-borrão" que absorvem todas as tintas, toda a toxicidade da chefia e são capazes de se autoanularem , só para ficarem nas boas graças das direções. Até que ponto podem estes colegas viver desta forma hipócrita até ao fim dos seus dias, sem empatia para com os seus pares, sem empatia "tout-court".?

Um dia a máscara cairá. Felizmente fui criada por dois seres inteligentes e com uma visão crítica sobre aquilo que os rodeava. Foi isso que me ensinaram, é isso que tento ensinar aos meus filhos e aos meus alunos: a verdade e os escrúpulos acima de tudo.

Boas férias.

Liberdade sempre!

@MM

publicado às 23:14

# Normalizar o assédio moral no trabalho no século XXI?

Há dias atrás contavam-me que a geração millenial se caracteriza pela grande rotatividade no trabalho: não gostam da chefia , demitem-se. Não gostam do país, mudam de país, não gostam da profissão, mudam de profissão.

Admito que , para a minha geração ( Geração X) isso é estranho porque subimos a pulso , sofremos com os anos da troika e tivemos que nos sujeitar à precariedade para sobreviver nesses anos. Muitos da minha geração saíram do país e não voltaram.

A geração dos meus pais , anterior à dos babyboomers, teve de trabalhar cedo, na adolescência. Foram poucos, uma elite que frequentou o liceu e a Universidade em Portugal,  já os outros, como os meus pais, tiveram os chamados "empregos para a vida" em grandes empresas ou na função pública.

No entanto, os meus pais, apesar de serem de uma geração anterior aos "boomers" foram sempre como os Milleniais, o que não deixa de ser curioso. Porém, a sua mudança de local de trabalho era sempre ponderada : o tal pássaro na mão, antes de abrir a gaiola do outro pássaro :)

Sofreram assédio moral no trabalho numa época em que não existia subsídio de desemprego, tendo o meu pai sido injustamente despedido pelo patrão apenas porque os clientes gostavam mais dele do que do patrão. Isso valeu-lhe nos idos anos 80, uma triste depressão à beira dos 50 anos. Anos mais tarde deixou de trabalhar para os outros , passando a ser o seu próprio chefe.

Já a minha mãe sofreu tanto assédio moral como sexual por uma chefia e, até ao final da sua carreira profissional, sofreu , como chefia, assédio moral por parte dos seus superiores. 

Acredito que, embora a genética explique o aparecimento de doenças como o cancro ou cardíovasculares, o stresse e o assédio moral, contribuem em muito para o desgaste psicológico dos trabalhadores e para o agudizar dessas tão tristes doenças.

Constato que há - não pode haver- no posto de trabalho de um professor ( escola)- uma normalização do assédio moral por parte de chefias e diretores e pais. Não pode haver. Por isso é que há baixas por burnout, por depressão , por doenças graves. Por isso é que há tanta rotatividade de postos de trabalho ( escola), tantos professores que se reformam mais cedo ( basta abrir as listas da CGA e verificar casos de professores que se reformam com elevada penalização - chegaram ao basta!).

Portanto, um viva! aos Milleniais e à geração dos meus pais ( que preparou os contratos coletivos de trabalho) e não ao assédio moral no trabalho ( Lei nº 73/2017).

@mmalheiro

ao meu filho Manel

aos meus pais

publicado às 08:11

Uma decisão na palma da mão- uma análise swot de uma carreira sem silêncios-

Li ,hoje, na rede profissional Linkedin, um artigo especializado sobre o silêncio a que os trabalhadores se sujeitam: ao silêncio por medo das chefias, por medo das entidades patronais.

Por medo de ficarem sem o posto de trabalho, muitos professores sujeitam-se, desde sempre,  ao assédio moral de diretores não eleitos pelos seus pares como nos antigos conselhos diretivos mas apenas porque se candidatam aos lugares e porque pertencem a determinados partidos políticos.

Por várias vezes, enquanto  professora contratada quis literalmente "mandar tudo ao ar" porque via formas de gestão ineficientes, formas de pressão para determinadas avaliações, formas de pressão para atender aos desejos de pais helicóptero, quando queria , apenas, apenas, dar aulas como o meu professor de liceu, António Leitão, me ensinara ( guardei os cadernos das aulas de Português) até há bem pouco tempo , ou como a minha professora de jornalismo, Margarida Simões, que nos quis pôr a pensar para além das notícias, das reportagens e nos colocou nos "Putos nos Is" na Rádio Energia.

Vivemos numa sociedade de extremos mas o professor continua a ser visto como um elemento menor da engrenagem, embora milhares tenham caminhado pelas ruas em manifestações e feito greves em 2022 e 2023. Só, desta forma, graças aos milhares que não tiveram medo, eu incluída, de caminhar em liberdade e sem silêncios, é que foi possível caminhar para o reposicionamento e progressão de milhares de professores com imenso tempo de serviço e a vida estagnada.

Contudo, mesmo com esta guerra vencida, o problema do assédio moral e da falta da boa mentoria aos professores jovens licenciados e ainda não profissionalizados, mantém-se erradamente, pois, tal como é referido no artigo que colocarei no final do texto, guardar o que se sente, em silêncio obrigado, tal como no tempo do fascismo, não é uma resistência sã, muito pelo contrário, traz muitas doenças do foro mental .

Portanto, eu que não sou de silêncios , enfrentarei provavelmente um novo caminho e a minha voz não se calará.

The Cost of Staying Silent: Psychological Trauma of Employees Who Can’t Speak Up in Linkedin

Aos meus pais

A todos os professores 

@mmalheiro

publicado às 23:54

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