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horas extra

Blog de escrita nas horas extra dos dias

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# Das sementes de violência num país chamado Portugal

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Numa semana em que foram vários os casos de violência contra médicos em centros de saúde e hospitais, veio parar-me aos "olhos" ( Crónica de MEC no Público de hoje) uma reportagem sobre um bailarino homossexual que acabou os seus dias no Hospital Miguel Bombarda em Lisboa por culpa do regime salazarista. Foi sujeito a uma lobotomia- tratamento criado por Egas Moniz que lhe trouxe um prémio Nobel-e foi uma vítima até ao fim.

O antigo "Rilhafoles" foi palco de uma tragédia em 1910,  quando o médico Dr. Miguel Bombarda foi alvejado por um doente "louco", oficial do exército,  2 dias antes  do 5 de outubro.Acabaria por morrer no hospital de S.José. 

Saúde mental e violência são temas pouco abordados em Portugal. Os casos de violência para com médicos, professores são reveladores de uma sociedade violenta e com problemas de saúde mental. Reclamar de um serviço público é possível- está lá o livro de reclamações.

Atirar mesas, cadeiras, partir telemóveis e teclados, esmurrar professoras grávidas, atropelar propositadamente professores, encurralar médicos em gabinetes e feri-los de tal maneira que necessitam de procedimentos cirúrgicos é gravíssimo. Os serviços públicos estão com falta de pessoal, de meios para trabalhar, de boa gestão de serviços ( o Ministro Santos Silva referiu-se aos maus gestores nas empresas, faltam muitos e bons gestores de recursos humanos nos serviços públicos, provavelmente em todos os setores). Hoje um hospital da área de Lisboa está com "constrangimentos"- 9h de atraso para atendimento de doentes com pulseira verde ( menos urgentes), estando os doentes a ser encaminhados para outros hospitais.

O excedente do défice orçamental de Centeno conduz a este caos. Contratando mais pessoal, quer para os hospitais, USF, escolas, serviços administrativos vários do Estado- nomeadamente Segurança Social- e até colocando algo tão simples como cadeiras em Bancos estatais ( estive numa sucursal que tem 6 cadeiras apenas para uma vasta população, a maioria idosa), regularizando processos do Simplex de Mariano Gago, mas, sobretudo, analisando socialmente uma população mentalmente doente , talvez o país entre num rumo "normal". Nada disto é normal. 

Saúde, Educação, Administração Interna , Economia são como "órgãos em falência" num corpo moribundo chamado Portugal. 

Para consulta fica aqui o Relatório da Faculdade de Medicina da Universidade Nova de Lisboa sobre a Saúde Mental e um artigo de Tiago Santos ( 10/10/2019/ Público) sobre o estado da Saúde Mental em Portugal.

@mmalheiro

[Nenhum político deve esperar que lhe agradeçam ou sequer lhe reconheçam o que faz; no fim de contas era ele quem devia agradecer pela ocasião que lhe ofereceram os outros homens de pôr em jogo as suas qualidades e de eliminar, se puder, os seus defeitos.]

Agostinho da Silva

 

publicado às 22:04

# Da contabilidade da violência nas escolas

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Foto in Pinterest

No Blog "Comregras" conhecido na comunidade docente, a par do Blog de Arlindo, há agora, infelizmente, um contador de casos de violência, 24 até ontem. 

Ao contrário do caso do professor de Informática, que numa escola das avenidas novas de Lisboa, perdeu a cabeça numa turma de classe média alta, mas  sem regras, foi detido, suspenso de funções e repreendido publicamente pelo Ministério da Educação, nestes 24 casos, não houve qualquer reação por parte de nenhum membro do Governo.

Ontem uma professora grávida foi agredida de forma vil , em plena sala de aula , numa escola de primeiro ciclo, em Lisboa, pela mãe de um aluno.

É abjeto, inadmissível, o silêncio perante um caso gravíssimo. Onde está a detenção imediata desta mãe? Quando será presente a um juiz? Quando ficará de pulseira eletrónica ou em preventiva? Quando haverá mão firme da Justiça e por parte do Ministro da Educação? 

O Sr. Presidente da República já apurou factos , deu apoio, como noutras situações?

Recentemente, veio a público a notícia da morte de um professor após a agressão de um aluno em plena sala de aula. Foi em Inglaterra. 

Quantos professores desistirão de dar aulas por casos destes? 

A minha homenagem sentida a todos os professores e funcionários alvo de agressão em escolas em Portugal. O meu sincero desejo para que a minha colega ,que ontem foi agredida barbaramente, esteja bem , assim como aquele que transporta no ventre.

@mmalheiro

 

 

publicado às 19:20

# Meter o chico #

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all rights reserved to Sally West.

há dias um familiar contou episódios engraçados do tempo da tropa, antes do 25 de abril. falou em expressões únicas da gíria militar que podem ser aplicadas a outros contextos atuais,por exemplo, "meter o chico".

esta expressão tão simples e irónica significa "passar à reserva". muitas vezes nos questionamos quando devemos passar à reserva de uma profissão, por exemplo, quando atingimos quatro mãos cheias de trabalho, vinte anos de vida. será que podemos "meter o chico" , arriscar , e "desenfiarmo-nos" noutras andanças laborais mais apelativas?

@mmalheiro

publicado às 15:38

# Do ritmo circadiano de um trabalhador

Hoje surgiu a notícia (Fonte:LUSA) de que a Fenprof pediu ao Ministério Público para averiguar a morte repentina de três professores: uma em Manteigas em plena sala de aula, outra na Covilhã em serviço oficial ( corrigia as Provas de Aferição) e outro em Odivelas ( enviava as classificações por email). Como professora considero chocante esta notícia e lamento muitíssimo pelos meus colegas.

Há cerca de 7 meses um familiar meu teve um ataque cardíaco fulminante em pleno local de trabalho , num prestigiado Banco português. Com apenas 53 anos o  excesso de trabalho,- ter muito stress-, foi a justificação dada aos familiares diretos. Colegas que assistiram impotentes à sua hora fatal e tentaram por todos os meios a reanimação estão ainda de baixa psiquiátrica, a família ainda em choque com a perda inesperada.

Tanto no caso dos colegas como do meu familiar o problema é o mesmo: a doença do séc. XXI ,  o burnout.Primeiro, o excesso de trabalho quer a nível de procedimentos burocráticos no caso dos professores- que, muitas vezes se apresenta pela duplicação ou triplicação de procedimentos, nada "simplex" ,  tudo muito inclusivo, com muitas medidas universais, adicionais, etc. Depois, a disponibilidade do professor/ trabalhador- contactável via email, telefone, pessoalmente, fora do horário de trabalho, aos fins de semana, feriados ( obrigada a quem inventou o modo reencaminhamento do email oficial...).

Segue-se o trabalho que se leva para casa. No caso de um trabalhador da área financeira, passa pelo trabalho em modo controlo remoto, fora das horas de expediente. No caso de um professor há também muito trabalho- quer na preparação das aulas, preparação de reuniões, correção de testes de avaliação e todo o tipo de instrumentos de avaliação aplicáveis, correção de provas de aferição, exames nacionais, etc e plataforma informática. Onde fica a vida pessoal? Tem de ser meticulosamente programada como a escala de Bancos dos médicos.

O cumprimento do dever por parte de um trabalhador não é consentâneo com faltas por motivo de doença do próprio, dos familiares diretos ( pais, por exemplo) ou de filhos menores ( até aos 12 anos). Muitas vezes isso é visto como uma fraqueza por parte do trabalhador. Mau para a sua avaliação de desempenho. Por isso, os professores e todos os trabalhadores cumpridores ou entram em burnout ou partem fatalmente. Uma tragédia. 

Há 10 anos numa escola onde dei aulas e donde se avistava a pista 5.2 do Aeroporto de Lisboa lembraram-se de criar aulas de Yoga para professores, depois do serviço. No meu caso não corria muito bem , pois no meio do Ooomm só pensava na lista de compras do supermercado e não desligava. Foi nessa época que comecei a caminhar e a correr, primeiro na pista do Guincho, depois no paredão de Oeiras, fizesse sol ou chuva, seguindo as passadas de Murakami. Há três anos a cardiologista  recomendou-me muita caminhada e melatonina ( na versão natural)- sentir o coração como que a saltar-nos pela boca é aflitivo. Mais do que aflitivo. Responderem-nos-  tive um problema cardíaco - e então?- revela a perfeita desumanidade do meio laboral. 

Eu e muitos colegas não conseguimos este ano, nem correr, nem caminhar, nem esticar as pernas entre testes, reuniões de encarregados de educação, reuniões , papéis, papéis, papéis. Submergidos em papéis.

Valeu-me a alegria dos meus e a noção de que a saúde para viver e para os criar está acima de tudo, até do trabalho.

Aos meus colegas professores

Ao meu primo Xana, in memoriam

@mmalheiro

publicado às 23:33

# Do artigo 73.º da CRP e das quotas

Consta da Constituição da República Portuguesa o artigo 73.º e, na Lei Constitucional de 1/92 de 25-11-1992 , que preconiza o direito à Educação, a saber:

 " 1. Todos têm direito à educação e à cultura.
   2. O Estado promove a democratização da educação e as demais condições para que a educação, realizada através da escola e de outros meios formativos, contribua para o desenvolvimento da personalidade, para o progresso social e para a participação democrática na vida colectiva. 
  3. O Estado promove a democratização da cultura, incentivando e assegurando o acesso de todos os cidadãos à fruição e criação cultural, em colaboração com os órgãos de comunicação social, as associações e fundações de fins culturais, as colectividades de cultura e recreio, as associações de defesa do património cultural, as organizações de moradores e outros agentes culturais. 
 4. A criação e a investigação científicas, bem como a inovação tecnológica, são incentivadas e apoiadas pelo Estado."

Portanto, o número 1 deste artigo é um argumento de "tipo" universal marcado pelo pronome indefinido no plural " todos". Se assim é, qual a necessidade de se criarem quotas para grupos minoritários no acesso ao ensino superior. ? Esta questão tem levantado vozes à direita  e à esquerda , tendo sido publicado um artigo de opinião polémico e "bonifácio" q.b,com reações de perigosa anuência e reações de total discordância .

Em que medida a discriminação positiva poderá ser utilizada para a aplicação de medidas falaciosas? O acesso ao Ensino Superior deverá ser pelo mérito , obtido através de exames ou provas de acesso. Essas provas específicas de acesso devem manter-se. De outro modo, cair-se-á no facilitismo e depois que gerações futuras teremos?

O mérito é aplicável a todos , a todos os estudantes de todas as origens, mulheres ou homens, todos os estudantes portugueses ou estrangeiros.

@mm

 

 

publicado às 00:33

# Da esquizofrenia dos países (feat. Interpol)

Hoje numa reportagem de rua, na Grécia, entrevistavam uma jovem grega -" então não vai levantar 60 euros?" Respondia que não podia levantar tal montante porque auferia apenas 400 euros por mês e estava em grandes dificuldades.

No país em que se decidirá o futuro da Europa há miséria e há grande riqueza. Há quem tenha dinheiro para ir ao médico,  tenha iates em ilhas paradisíacas e quem passe fome.

Mas, apesar de tudo há otimismo.

Se entrevistassem um português este diria que não tem dinheiro para os 20 euros que terá de pagar numa urgência hospitalar, ou para pagar a eletricidade. No entanto, se for para ir ver um jogo de futebol o caso muda de figura.

Se for para pensar que a educação pré-escolar começa antes (muito antes) dos 4 anos de idade e de que a Educação é um direito segundo a CRP....

É Verão, os problemas do país estão lá- arrumadinhos numa prateleira- até às eleições.

Uma chatice isto da cidadania, muito diferente da cidadania grega que, quer seja "oxi" ou "sim" ou "nim" ( como o PCP grego apela) se exerce todos os dias em Atenas.

to my greek family

@marinamalheiro

                          

 

 

publicado às 19:18

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