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horas extra

Blog de escrita nas horas extra dos dias

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# Da apologia do otimismo ingénuo

Em dias de contagem numérica de casos, de perdas de vidas humanas, de concelhos com elevado risco de transmissibilidade, penso de que modo é que as crianças e os jovens podem ser simplesmente isso: crianças e jovens.

Esta semana ,na escola onde dou aulas, as crianças sem professores brincavam com guarda-chuvas abertos ao contrário e saltavam alegres , de máscara posta, nas poças de água que a tempestade Bárbara deixara pelo caminho. Os meus alunos adolescentes, ao verem aqueles saltos ingénuos, estavam indignados e preocupados com aquelas crianças, dizendo que não deviam fazer aquilo, que era perigoso, perigoso brincar.

Quando falam nos elevados índices de transmissibilidade após a abertura das escolas e do trabalho das gentes, só posso defender os alunos e os meus colegas professores. Num dia com , por exemplo, seis tempos letivos, as crianças/jovens desinfetam as mãos dezasseis vezes por dia, no mínimo, e andam de máscara e estão de máscara nas aulas.

Num momento tão importante das suas vidas andam "mascarados" por culpa de uma pandemia .

Sir David Attenboroug afirmou no seu magnífico documentário "Uma vida no nosso planeta" ( 2020) - " precisamos de sabedoria".

Talvez precisemos de um otimismo ingénuo, tal como Erling Kagge escreveu no seu Filosofia para Exploradores Polares, Quetzal, Outubro de 2020: " O otimismo ingénuo é algo que, aparentemente, de modo inato, todas as crianças possuem. Na mente de uma criança todo o mundo está por explorar: o mundo está a mudar, nós também mudamos. Acho que elas têm razão. Não há uma linha de meta. " ( Tradutor Miguel de Castro Henriques).

aos meus filhos, Manel e David

aos meus alunos

@mmalheiro

 

 

publicado às 17:22

# Dias de pandemia- o olhar de Zizec

No momento em que editores e livreiros se confrontam com uma quebra nas vendas, há quem aposte e bem na versão digital de livros , muitas vezes em formato de download gratuito. Portanto, empresas do ramo livreiro e editorial estrangeiras colocaram à disposição dos "confinados" milhares de livros.

O Arquivo de Internet Mundial tem as suas portas abertas para muitas leituras, assim como várias bibliotecas que  disponibilizaram o seu acervo digital.

Hoje ao ler uma entrevista do filósofo Zlavoj Zizec soube que publicara há dias um ensaio sobre esta pandemia e que estava num momento incessante de escrita, em virtude deste contexto trágico em que nos encontramos. Preparava-me para comprar o seu ensaio na OR Books quando me deparei com a agradável surpresa de um dowload gratuito para os primeiros 10.000 leitores.

Portanto, Pandemic já está aberto e a ser lido com muita gratidão a estes editores.

As primeiras páginas aproximam-se da visão do filósofo português José Gil "A pandemia e o capitalismo numérico" lida hoje no jornal Público. Afirma Zizec (2020, p. 39) :

" (...) But maybe another and much more beneficent ideological virus will spread and hopefully infect us: the virus of thinking of an alternate society, a society that actualizes itself in the forms of global solidarity and cooperation" . 

Lendo, a par deste magnífico ensaio , um livro de organização pessoal da japonesa Marie Kondo, penso que, de facto, há um excesso de bens materiais nas sociedades ditas "capitalistas" por oposição áqueles que lutam por comida numa rua ( imagens ontem do Quénia na TV).

Se agora que tudo está parado , confinado em casa, os níveis de poluição diminuiram drasticamente, sendo isto visível do espaço, quando este confinamento cessar voltaremos a uma sociedade poluída a todos os níveis?

Sendo este um tempo de aparente pausa, refletamos sobre o que pensadores e cientistas nos mostram , para além das curvas e dos planaltos que os matemáticos analisam em grupo e discutem entre si. Cada número na estatística dos óbitos faz falta a alguém.

Para além da estatística tem de haver esperança e reflexão sobre o futuro próximo que nos espera e que afeta todos os nossos familiares, amigos, colegas, conhecidos, vizinhos, etc, etc, etc.

Pode adquirir aqui o ensaio - Pandemic (Or Books), 2020- all rights reserved to Zlavoj Zizec

@mmalheiro

 

 

 

 

publicado às 22:53

# Ganhar balanço para o salto de coragem ( feat.Vampire Weekend)

A análise de risco , em qualquer situação de vida ou profissional, envolve sempre uma boa dose de coragem.

Se para alguns dar um mortal invertido a 12 metros para a água é modo de vida diário, para outros um salto em comprimento ganhando balanço é um puro ato de coragem.

Felizmente tenho conhecido pessoas admiráveis com a coragem toda nas mãos, agarrando a vida ao máximo, sugando o tutano todo e mandando pastar a doença ou os problemas.

Foram e são lições de vida com os chakras todos alinhadíssimos, diria um qualquer guru espiritual.

Depois há aqueles que ficam lá longe, como que numa fila enorme de supermercado de valores e ações, e que pedem aos outros para dar o salto em comprimento ou em altura por eles. Nunca terão coragem na vida. Ou melhor, terão uma coragem sem risco para eles, com 0% de risco, sem perdas aparentes.

Portanto, se calhar é melhor sentir o vento na cara ao correr numa pista de atletismo e fazer os kms todos que o corpo aguentar,  dar o mortal invertido mesmo que se caia mal e se bata de chapa na água, amar e abraçar quem queremos, sem medos, com coragem, e nadar para a margem contrária na profissão, quando sentimos que o mar está picado ( o que faremos quando tudo arde?). @mmalheiro

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                                                  Audrey Hepburn, 1951, NY

                                                

 

publicado às 22:50

# Todas as coisas e acontecimentos falam sem metáfora

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                                         Foto do filme Breakfast at Tiffanys na NYPL  - via Pinterest.

                                         Dia mundial do livro e tantos ainda que não sabem ler o seu próprio nome, assinar ou ler uma conta doméstica. Durante anos tem sido fundamental o papel das bibliotecas, primeiro itinerantes, caso da Biblioteca Gulbenkian que percorria terras por Portugal adentro, depois bibliotecas municipais.

Agora que os ebooks subsistem  a par com os  tradicionais livros em  papel haverá mais leitores? Ou ler-se-á apenas o "feed" das notícias das redes sociais ou dos jornais digitais?

Continua a ser magnífico entrar numa grande biblioteca como é o caso da Biblioteca Nacional em que há anos, antes do grande processo de digitalização dos arquivos ( a maior parte online no site), para se aceder aos "reservados" era necessária uma autorização especial. Ali se ficava a sós com toda a história nas mãos.

Há cerca de um ano que um livro me acompanha [Walden].

Creio que Pessoa se terá inspirado no homem simples do campo, puro filósofo, que Thoreau encontrou no lago Walden, para dar vida a Alberto Caeiro.

Todos os dias ,ou sempre que posso, leio ou releio as palavras de Thoreau que, em momentos às vezes críticos de vida, quando parece "que tudo arde",  se encaixam literalmente no tempo presente, como por exemplo:

" (...) corremos o risco de esquecer a linguagem que todas as coisas e acontecimentos falam sem metáfora, e se mostra, na sua singularidade, abundante e exemplar. (...) O que é o curso da história, a filosofia, ou a poesia, por mais selecionada que seja, ou a melhor sociedade, ou a mais admirável rotina de vida, em comparação com a disciplina de olhar incessantemente o que existe para ser visto? (...)Lede o vosso destino, vede o que está à vossa frente e marchai para o futuro. (...)Gosto de uma larga margem para a minha vida."

[Walden, 1854: 130]- capítulo "Sons"

escute em streaming a emissão ao vivo, em permanência, da Minnesota Public Radio em homenagem a Prince

( grande músico)

@mmalheiro

 

 

 

publicado às 20:51

# Merika

em dias em que é necessária muita "merika", termo grego para agir com paixão naquilo que fazemos, pensa-se se não seria necessária esta força grega nos portugueses, já que nós oscilamos entre a apatia e o anedotário para esquecermos de como o país se arrasta literalmente no caminho europeu.

excelente esta citação que o Grupo de Investigação do Pensamento Português partilhou hoje:

 

"Frente a uma situação difícil, o Português opta pela espera de um milagre ou pela descompressão de uma anedota. O grave disto é que o milagre não vem e a anedota descomprime de tudo.
Ficamos assim à mercê do azar e sem restos de razão para mexer um dedo"

~ Vergílio Ferreira, Conta-Corrente, 2.

 

@mm

publicado às 17:49

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