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Blog de escrita nas horas extra dos dias

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Blog de escrita nas horas extra dos dias

# Os filhos dos professores em transumância

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Foto de weareteachers.com

Todos os anos se realizam concursos de professores, quer para contratar milhares ( muitos trabalham há mais de vinte anos), quer para vincular, quer para mobilizar de uma escola para outra, quer para mobilizar por doença , quer para mobilizar por mudança para outro serviço público.

Mas, para além dos professores que andam nesta transumância permanente, os filhos dos professores acompanham os pais ou ficam em casa com um dos progenitores ou com os avós. 

Conheci há anos uma colega que levou a filha com ela para Beja quando ficou quadro de zona pedagógica. Era  natural do Entroncamento. Outro caso, foi o de uma colega que levou os dois filhos com ela para o Algarve para efetivar pela norma-travão. O marido ficou na casa "base", no Porto.

No entanto, há casos  em que por despesas financeiras avultadas- casa, carro, gasolina, alimentação- deixam os filhos na "casa base" e as crianças ressentem-se : dormem mal, ficam num estado de ansiedade brutal. É o caso da filha de uma colega, que ficou em estado de ansiedade depois de ver a mãe inserir 548! códigos de escola junto à "casa base" e não dormiu só de pensar que a mãe poderia ir-se embora novamente.

É isto, é também isto, que deve ser considerado pela tutela na gestão de recursos humanos, na gestão de docentes : a gestão familiar. Os professores não são apenas um número de graduação.

@mmalheiro

aos filhos dos professores portugueses

publicado às 11:37

# Da sociedade automatizada

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Cinemagraph de Metropolis (1927)

A pandemia trouxe uma vida ainda mais automatizada, em que quem nos responde são os computadores, os avatares online que nos perguntam se queremos ajuda, os "taskers" com agendamento para montarem móveis , e até da escola dos nossos filhos nos respondem dizendo que determinados recados é melhor colocarmos na plataforma lms. 

Sinto a falta do contacto presencial com os amigos , com os conhecidos e até circunstancialmente com os funcionários das lojas do cidadão. Para se tratar de uma mera mudança de um dístico de residente é uma complicação para agendar, para seguir instruções online. Tem de ser tudo agendado com os serviços, por causa do Covid19. Mariano Gago que criou o Simplex meteria as mãos à cabeça se ainda aqui estivesse. Complicadex a automatização dos procedimentos. Não há agilização mas uma gritante complicação.

Se muitas vezes os trabalhadores dos call-centers atendem claramente em casa, noutras não há voz - apenas "carregue 1, tecle 2, deixe o seu número e será contactado em 48h". Palmas para muitos como hoje um trabalhador de um serviço público que às 7h53 já estava a responder a um email meu.Depois outra trabalhadora do mesmo serviço respondeu ao mesmo assunto passadas 6 horas. 

Para além disto, os agendamentos fazem-se por email e não respondem. A mensagem automática surge "responderemos em breve". De repente, tem-se a noção de que há uma estagnação causada pela pandemia mas também pela máquina gigante da burocracia.

Tem sido de aplaudir o trabalho da Task Force vacinando o maior número de pessoas, com ou sem agendamento, mas, de facto, o líder é um Vice-Almirante dos mares, com outra visão desta guerra em que vivemos.

Menos automatização , por favor! ( note-se isto é um blogue mas tenho-me dedicado agora muito mais ao objeto cultural mais interessante de todos: o livro!).

"Poderemos perguntar-nos se valerá a pena, neste momento, voltar a reafirmar que o investimento em ciência, em investigação científica e tecnológica, assim como o investimento em formação superior, aumentam a produtividade e promovem o crescimento económico e o desenvolvimento social e cultural, ou que a cultura científica é fonte de liberdade e de cidadania."

Mariano Gago, excerto do discurso no Parlamento (10 de novembro de 2010)

@mmalheiro

publicado às 23:00

# Ao desconcerto do mundo

Os bons vi sempre passar
No Mundo graves tormentos;
E pera mais me espantar,
Os maus vi sempre nadar
Em mar de contentamentos.
Cuidando alcançar assim
O bem tão mal ordenado,
Fui mau, mas fui castigado.
Assim que, só pera mim,
Anda o Mundo concertado.

                  Luís de Camões



Há séculos atrás assim se questionou Camões sobre o " bem tão mal ordenado", assim me questiono eu agora.
Anda o Mundo desconcertado com a pandemia, com as intempéries, com o flagelo económico, com a solidão dos mais velhos com outras doenças e outras sortes não covid.
Se esta pandemia é absolutamente democrática na infeção generalizada, é reveladora das assimetrias sociais não só dentro de um país, como entre os países ricos e os países pobres, entre os que têm acesso à boa vacina e à aquela assim-assim como escreve hoje Clara Ferreira Alves no Expresso.
No meio deste desconcerto há quem tente acertar o passo com as Leis e, por isso, hoje é um dia histórico para os professores portugueses : a promulgação de um decreto-lei aprovado na Assembleia da República sobre a contratação e vinculação dos professores.
Nota-se, contudo, na classe docente, talvez seja o mesmo noutras, o crescimento de um individualismo, primeiro causado pela própria carreira - professores contratados, qzp, qa, que têm um número à frente, uma graduação final mas têm todos uma história de trabalho. O caos trazido pela pandemia trouxe uma competição ainda maior entre os pares e casos gritantes de pessoas que exercem o seu pequeno poder sobre os outros- em muitos casos, contratados com muitos anos de serviço e de idade- num Sistema que não agradece trabalharmos doentes ou trabalharmos até 3 dias antes de termos o primeiro filho.

Tenho entre amigas dois casos que deixaram de dar aulas, uma passou a exercer trabalho como tradutora e outra passou a dedicar-se à culinária nas redes sociais, na televisão e no mundo editorial. Nenhuma das duas tem saudades de dar aulas.
Entre colegas mais novos ou mesmo com idade madura que regressaram à escola, após anos sem contrato e exercício de outras funções noutras áreas, observei este descontentamento, mas, infelizmente, num tempo de pandemia em que não há trabalho, regressarão novamente. Só um professor jovem, a quem eu disse " vai dar a volta ao Mundo e depois vens dar aulas", reafirmou a vontade de trabalhar no ensino porque gosta mesmo.

No entanto, penso que, para a Escola acolher estes jovens professores para uma "escola do futuro" esta hierarquização e este "assédio moral no trabalho" tem de desaparecer, tornando as escolas mais democráticas e dividindo coerentemente e sem compadrios os cargos e, sobretudo, dirimindo os pequenos poderes em prol de algo muito mais importante: ensinar menos conteúdos mas ensinar algo fundamental- os valores que regem uma sociedade e a capacidade de luta para se alcançar um objetivo sem passagens automáticas com zero conhecimento.
@marinamalheiro

publicado às 08:33

# Da opinião pública e do egoísmo

Hoje , de manhã, vendo e escutando o programa da SIC "Opinião Pública", ouvi com espanto uma telespetadora dizer que as escolas deviam ficar fechadas o ano inteiro, dado que os pais que estão em casa, estão a receber vencimento e , pasmo maior, vem aí o Verão e as pessoas querem passear.

Portanto, para que uns passeiem no Verão, jovens, crianças, professores, pais, devem ficar em regime de clausura 365 dias e porque, enfim, não contribuem muito para a Economia. É preciso acordar a Economia, dizia.

Dei-me conta que esta pessoa, esta mulher, deve viver numa "twilight zone" e espero sinceramente que não tenha filhos, pois quem diz isto não tem amor nem a crianças, nem a seres humanos.

Todas as tardes as crianças do meu bairro estão no jardim, fazendo o seu passeio higiénico. Felizmente brincam com giz colorido e há jogos da macaca em redor da fonte , andam acelerados de trotinete, jogam à bola , caem. O resto do tempo , que é muito, estão em casa, diante de écrans de computador, televisão e telemóvel.

Qualquer pediatra poderá tentar explicar a esta senhora que as crianças precisam de brincar umas com as outras, quer para interagirem socialmente, quer para crescerem - faz parte dos estádios de desenvolvimento.

Há muitos anos numa aula de História, no meu 12º ano, em que pesquisávamos, mesmo em bibliotecas, íamos a livrarias e líamos, mesmo, a nossa professora falou-nos de como as crianças no século XIX não eram gente, eram usadas para tudo pelos pais, para o trabalho , para a casa, e as privilegiadas é que tinham preceptores em casa.

Em 1910 houve uma preocupação pela Educação- construiram-se escolas por todo o país- um país com cerca de  75% de analfabetos. Em 1901 foram criadas 5 classes na escola primária.

Neste momento,  em 2021 continua a haver iliteracia funcional- há quem não saiba ler a conta da luz, não saiba fazer operações no multibanco. No entanto, mais do que essa iliteracia , há uma crescente iliteracia, mais perigosa, a da ignorância e do egoísmo.

@mmalheiro

aos pais, aos jovens e às crianças

publicado às 11:46

# 300 horas de teletrabalho depois , um" tea time"

Hoje li, mesmo aqui no Sapo, que há empresas que estão a motivar os trabalhadores que estão em teletrabalho: aulas de Yoga, reuniões Teams, Meets, registos da atividade diária dos colaboradores de modo divertido. 

Uma das empresas de informática, que é apenas a do senhor dono de todas as "janelas" do sistema informático pioneiro , há alguns anos atrás já proporcionava pausas aos trabalhadores com sessões de massagem às costas, natação  e ginásio. Tudo para aumentar a produtividade e, no fundo, motivar para o trabalho. Ui, haja alegria para fazer pão, planos semanais, aulas síncronas, assíncronas, trabalho autónomo e formação online, ao mesmo tempo que se adormece o filho nos braços.

Neste momento a classe docente e milhares de pais confinados ( muitos são professores) precisam de algum ânimo, nem que seja digital, até ao desconfinamento que será, provavelmente, depois da corrida aos ovos da Páscoa.

Portanto, um momento "chá das cinco" todas as semanas com as equipas de trabalho das escolas, em direto com os filhos a interromperem uma aula síncrona para verem os "SuperWings", em cima da bicicleta de aulas de cycling que se comprou para abater os kilos do confinamento de há um ano, seria como diria "a amiga Olga" , Uau!

@mmalheiro

Nota.Obrigada à equipa do Sapo pelo destaque de ontem .

 

publicado às 23:25

# Dias de guerra a um inimigo invisível

 22 de Janeiro 2021

2º Confinamento Geral. , Cascais

Uma semana após o novo Confinamento, uma semana depois de ser das poucas da minha rua a sair ,ainda em manhãs de breu, as escolas fecharam e voltámos para casa.

Um alívio e uma pena, ao mesmo tempo. Tentámos todos, professores, alunos, auxiliares,diretores, que a gestão da pandemia nas escolas corresse bem. Achei admirável a capacidade de resistência dos miúdos mais novos e a sua adaptação a este "novo normal" que é tão estranho. Semana após semana fomos ouvindo ou que miúdos ou turmas ou colegas tinham ido para casa,em isolamento profilático, infetados, não infetados. Habituámo-nos à terminologia "Covid"- baixo risco, alto risco, teste PCR, etc

No entanto, testagem em massa não houve. Enquanto fui sabendo que entidades bancárias ou empresas , sabendo que um colaborador estava infetado, mandavam os colegas de equipa todos para casa, em isolamento profilático e submetiam-nos a testes PCR, connosco isso não aconteceu.

Uma turma, um aluno, um colega professor , infetados, e os professores continuaram todos em serviço, tendo que colocar trabalhos na aula virtual. Na véspera do encerramento das escolas, verificámos acessos à sala virtual e um dos alunos dizia se teria alucinado, se era verdade que  nos vinham testar. Falam-me em gestão de risco, dizem-me que isto é como um terramoto na vida de todos. Gestão estratégica é o que falha: prever como o inimigo invisível vai atacar é essencial.

Lisboa

No elevador do hospital somos quatro, todos de máscaras cirúrgicas. Menos gente. Voltou o medo.

O parque está vazio, as cadeiras do café estão empilhadas, a igreja fechada.

Estamos em guerra contra um inimigo invisível: já morreram mais pessoas do que na Guerra Colonial, novos e velhos, de todas as classes sociais e socioprofissionais. Lembro-me da minha aluna, infetada em início de dezembro, enervada e com medo, agora, de uma reinfeção pela nova estirpe inglesa. Alguma imunidade deves ter, digo-lhe. Suspira, aliviada. Outra , triste pela avó que morreu desta doença há um par de dias e que foi só, sem homenagens devidas.

Volto às máscaras bico de pato , as P2, e reparo que em meu redor , no hospital e na rua, ficamos todos com esta hibridez; humano e animal. Voltámos a março de 2020.

Leio papers de revistas científicas para tentar perceber como é que este inimigo se movimenta nas nossas vidas e em todo o lado.

Guardo as palavras de um jornalista desportivo, já de idade, que numa entrevista televisiva diz : "Deixe-me ter esperança, deixe-me acreditar" e as do meu filho mais novo, de terna idade, que quando o pai chega diz "Tira a máscara, pai".

@marinamalheiro

publicado às 23:36

# Este país não é para velhos II

Hoje um profissional de saúde disse-me com uma frieza desconcertante "morreu, já tinha 80 anos, tinha de morrer", depois de eu relatar o caso de um familiar de alguém que morreu de Covid19, após ter sido infetado pela auxiliar de saúde que ia a sua casa.

Pergunto aos profissionais de saúde - médicos e enfermeiros - se fosse o caso de um familiar seu se seriam tão frios assim, de uma frieza sueca. 

Será tudo descartável, velhos a mais, velhos doentes, pessoas que contribuíram para o país?

Há semanas li algures que alguém fazia uma tese de mestrado sobre a comunicação amável entre médico e paciente, pois muitas vezes a palavra soa a "morgue hospitalar" :  "olhe, tem um cancro e idade ou não sabe?".  Por contraste há quem meça as palavras, talvez por ter outra cultura, de outro país : "olhe, se a senhora fosse saudável, o seu organismo obedeceria,  tal não é o caso."

Conheço um caso em que uma família não se pôde despedir da sua ente querida, doente terminal e, por força das leis Covid19 nem sequer viu essa ente querida em descanso eterno. 

Termino dizendo que este país foi feito por velhos de 70/80 anos que lutaram em tempos idos para que houvesse democracia, SNS, educação e saúde para todos, emprego, habitação, condições de vida, igualdade, liberdade, justiça. 

Portanto, quando parte um velho, não é só uma biblioteca inteira é uma parte de um país que se chama Portugal.

Aos meus pais. 

@mmalheiro

 

publicado às 20:35

...

Final de Julho, Lisboa. 

Ao lado dos correios há uma fila imensa. Há pessoas, jovens na sua maioria, com sacos cheios à porta da loja. Chamam me a atenção, dizendo me que a loja tem várias bicicletas e outros produtos. Ali não há pão mas vendas para se ter pão na mesa.

Mais acima um restaurante tem um aviso na porta "fechado por tempo indeterminado". 

Filas da fome em Lisboa em paralelo com drinks de fim da tarde e shares de televisão. Fogueiras de vaidades.

@mmalheiro

 

publicado às 11:26

# Da apologia de um ensino de proximidade

iniciou-se na semana passada, oficialmente, por força das dramáticas circunstâncias em que vivemos ( a pandemia do Covid-19) , um ensino à distância (EAD).

se em alguns casos há computadores para cada filho, pais a partilharem esses computadores pois estão em teletrabalho, na maior parte dos casos não há nem computadores, nem internet, nem telemóvel.

há alunos cujas famílias têm de ir buscar o almoço à escola porque pertencem ao escalão A, ou seja, os pais recebem menos do que o ordenado mínimo nacional.

muitos desses alunos não têm computador, nem tablet, nem telemóvel.

quando dizem aos diretores de turma- "ah o meu pai não recebeu o email, o email não funciona", o professor percebe logo que, no meio de tudo aquilo há uma imensa vergonha, a vergonha da pobreza, do desemprego, da escassez de meios. vergonha que vai aumentar com a crise económica que se aproxima.

há 13 anos atrás o programa E-escolas trouxe ,talvez de forma megalómana, um computador para cada aluno, um magalhães ou um portátil antigo reciclado. nenhum estudante estava como hoje a dizer "tenho os trabalhos feitos mas não os posso enviar, não tenho Internet".

é realmente de aplaudir o esforço de professores, diretores de turma, diretores de escola, presidentes da câmara, na gestão deste ensino à distância.

hoje um aluno sem computador, sem telemóvel, teve direito a um tablet emprestado da escola.

a diretora de turma quase chorava ao telefone a contar isto. "vai fazer os trabalhos todos, dizia-me."

à beira da reforma esta professora leciona desde o 25 de abril de 1974, talvez por isso tenha este espírito de solidariedade e partilha com os seus alunos.

eu só pensava que há aqui algo de muito errado. planifique-se o ensino à distância, a pseudo-telescola mas pense-se nos alunos nos seus contextos sociais.

se houver uma segunda "onda" de covid-19 no outono como vão aprender estes miúdos , com os pais no desemprego, no lay-off, a buscarem refeições à escola, com rendas em atraso, enfim, numa incrível precariedade económica?

portanto, hoje mais do que tudo há um ensino de proximidade, à distância de um telefonema mesmo dentro de um confinamento necessário.

à professora Dolores e a todos os professores 

@mmalheiro

 

publicado às 01:48

# Das sementes de violência num país chamado Portugal

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Numa semana em que foram vários os casos de violência contra médicos em centros de saúde e hospitais, veio parar-me aos "olhos" ( Crónica de MEC no Público de hoje) uma reportagem sobre um bailarino homossexual que acabou os seus dias no Hospital Miguel Bombarda em Lisboa por culpa do regime salazarista. Foi sujeito a uma lobotomia- tratamento criado por Egas Moniz que lhe trouxe um prémio Nobel-e foi uma vítima até ao fim.

O antigo "Rilhafoles" foi palco de uma tragédia em 1910,  quando o médico Dr. Miguel Bombarda foi alvejado por um doente "louco", oficial do exército,  2 dias antes  do 5 de outubro.Acabaria por morrer no hospital de S.José. 

Saúde mental e violência são temas pouco abordados em Portugal. Os casos de violência para com médicos, professores são reveladores de uma sociedade violenta e com problemas de saúde mental. Reclamar de um serviço público é possível- está lá o livro de reclamações.

Atirar mesas, cadeiras, partir telemóveis e teclados, esmurrar professoras grávidas, atropelar propositadamente professores, encurralar médicos em gabinetes e feri-los de tal maneira que necessitam de procedimentos cirúrgicos é gravíssimo. Os serviços públicos estão com falta de pessoal, de meios para trabalhar, de boa gestão de serviços ( o Ministro Santos Silva referiu-se aos maus gestores nas empresas, faltam muitos e bons gestores de recursos humanos nos serviços públicos, provavelmente em todos os setores). Hoje um hospital da área de Lisboa está com "constrangimentos"- 9h de atraso para atendimento de doentes com pulseira verde ( menos urgentes), estando os doentes a ser encaminhados para outros hospitais.

O excedente do défice orçamental de Centeno conduz a este caos. Contratando mais pessoal, quer para os hospitais, USF, escolas, serviços administrativos vários do Estado- nomeadamente Segurança Social- e até colocando algo tão simples como cadeiras em Bancos estatais ( estive numa sucursal que tem 6 cadeiras apenas para uma vasta população, a maioria idosa), regularizando processos do Simplex de Mariano Gago, mas, sobretudo, analisando socialmente uma população mentalmente doente , talvez o país entre num rumo "normal". Nada disto é normal. 

Saúde, Educação, Administração Interna , Economia são como "órgãos em falência" num corpo moribundo chamado Portugal. 

Para consulta fica aqui o Relatório da Faculdade de Medicina da Universidade Nova de Lisboa sobre a Saúde Mental e um artigo de Tiago Santos ( 10/10/2019/ Público) sobre o estado da Saúde Mental em Portugal.

@mmalheiro

[Nenhum político deve esperar que lhe agradeçam ou sequer lhe reconheçam o que faz; no fim de contas era ele quem devia agradecer pela ocasião que lhe ofereceram os outros homens de pôr em jogo as suas qualidades e de eliminar, se puder, os seus defeitos.]

Agostinho da Silva

 

publicado às 22:04

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