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horas extra

Blog de escrita nas horas extra dos dias

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Blog de escrita nas horas extra dos dias

# Do ritmo circadiano de um trabalhador

Hoje surgiu a notícia (Fonte:LUSA) de que a Fenprof pediu ao Ministério Público para averiguar a morte repentina de três professores: uma em Manteigas em plena sala de aula, outra na Covilhã em serviço oficial ( corrigia as Provas de Aferição) e outro em Odivelas ( enviava as classificações por email). Como professora considero chocante esta notícia e lamento muitíssimo pelos meus colegas.

Há cerca de 7 meses um familiar meu teve um ataque cardíaco fulminante em pleno local de trabalho , num prestigiado Banco português. Com apenas 53 anos o  excesso de trabalho,- ter muito stress-, foi a justificação dada aos familiares diretos. Colegas que assistiram impotentes à sua hora fatal e tentaram por todos os meios a reanimação estão ainda de baixa psiquiátrica, a família ainda em choque com a perda inesperada.

Tanto no caso dos colegas como do meu familiar o problema é o mesmo: a doença do séc. XXI ,  o burnout.Primeiro, o excesso de trabalho quer a nível de procedimentos burocráticos no caso dos professores- que, muitas vezes se apresenta pela duplicação ou triplicação de procedimentos, nada "simplex" ,  tudo muito inclusivo, com muitas medidas universais, adicionais, etc. Depois, a disponibilidade do professor/ trabalhador- contactável via email, telefone, pessoalmente, fora do horário de trabalho, aos fins de semana, feriados ( obrigada a quem inventou o modo reencaminhamento do email oficial...).

Segue-se o trabalho que se leva para casa. No caso de um trabalhador da área financeira, passa pelo trabalho em modo controlo remoto, fora das horas de expediente. No caso de um professor há também muito trabalho- quer na preparação das aulas, preparação de reuniões, correção de testes de avaliação e todo o tipo de instrumentos de avaliação aplicáveis, correção de provas de aferição, exames nacionais, etc e plataforma informática. Onde fica a vida pessoal? Tem de ser meticulosamente programada como a escala de Bancos dos médicos.

O cumprimento do dever por parte de um trabalhador não é consentâneo com faltas por motivo de doença do próprio, dos familiares diretos ( pais, por exemplo) ou de filhos menores ( até aos 12 anos). Muitas vezes isso é visto como uma fraqueza por parte do trabalhador. Mau para a sua avaliação de desempenho. Por isso, os professores e todos os trabalhadores cumpridores ou entram em burnout ou partem fatalmente. Uma tragédia. 

Há 10 anos numa escola onde dei aulas e donde se avistava a pista 5.2 do Aeroporto de Lisboa lembraram-se de criar aulas de Yoga para professores, depois do serviço. No meu caso não corria muito bem , pois no meio do Ooomm só pensava na lista de compras do supermercado e não desligava. Foi nessa época que comecei a caminhar e a correr, primeiro na pista do Guincho, depois no paredão de Oeiras, fizesse sol ou chuva, seguindo as passadas de Murakami. Há três anos a cardiologista  recomendou-me muita caminhada e melatonina ( na versão natural)- sentir o coração como que a saltar-nos pela boca é aflitivo. Mais do que aflitivo. Responderem-nos-  tive um problema cardíaco - e então?- revela a perfeita desumanidade do meio laboral. 

Eu e muitos colegas não conseguimos este ano, nem correr, nem caminhar, nem esticar as pernas entre testes, reuniões de encarregados de educação, reuniões , papéis, papéis, papéis. Submergidos em papéis.

Valeu-me a alegria dos meus e a noção de que a saúde para viver e para os criar está acima de tudo, até do trabalho.

Aos meus colegas professores

Ao meu primo Xana, in memoriam

@mmalheiro

publicado às 23:33

# Da vida numa bolha- a Educação ( feat. Madness)

há dias assim: de manhã leio um artigo de um padre em picardia com um secretário de Estado, à hora de almoço cai no meu email um blog novo de um professor, de carreira feita, provavelmente num escalão aceitável para viver tranquilamente e que subitamente se cansou de tudo e meteu Licença sem Vencimento de Longa Duração. O que este professor escreve é demonstrativo da absoluta verdade, fora de uma bolha que querem parecer aos outros "perfeita", a da Educação. Se os relatórios da OCDE e do CNE revelam aquilo que já se sabe, que há uma classe docente envelhecida e cansada, sem renovação de quadros, com candidatos a docentes de carreira com vinte anos de serviço, no lado da "bolha educativa" há a visão fantástica de disciplinas de projeto de cidadania, de dispensa de três horas aos funcionários públicos no primeiro dia de aulas dos filhos, de passes familiares em autocarros com menos cadeiras ou comboios a abarrotar de gente, de uma escolaridade obrigatória menos exigente, sujeita a domínios de aprendizagens essenciais, em que o acesso à informação é totalmente "simplex" nada "complicadex" -com algum interesse  como há 25 anos atrás -quando se tinha de pesquisar mesmo  para aprender. Que geração será esta no futuro? uma geração em que lhes é transmitido que tudo é fácil,  que não é necessário grande empenho para transitar de ano, em que o respeito pelo outro- professor, pais, funcionários, qualquer um- é algo tão mínimo e relativo que se dissipa pelo tempo. lembro-me da minha professora de História do 12º ano nos ter dado ,no ínicio do primeiro período, três páginas de bibliografia para pesquisarmos e estudarmos. pensámos na altura que era uma megera insana. no primeiro ano da Faculdade e seguintes a história era igual. É questionável, então, se há tempo por parte do aluno para a aquisição plena dos conhecimentos e para uma perspetiva crítica sobre os mesmos ou se serão mais importantes os papagaios de papel que se lançam numa praia, em prol de um projeto de escola. 

Fica aqui ,para seguir , o Blog https://lsvld.blogspot.com/.

Música dos Madness- all rights reserved to Madness.

 

@mmalheiro

 

publicado às 12:27

# Pensar para além da Da Res Pública ,da Escola Pública e da Escola Privada

e1f74abd96b9fc583b883e103b0e134e.jpg                                                    Fotografia de Glass Planet no Flickr 

Muito se tem falado por estes dias na Escola Pública e na Escola Privada.

Já não há sinceramente paciência para ler nem nas redes sociais, nem nos jornais sobre esta "guerrinha de cores".

Ponto primeiro, há escolas públicas muito boas, há escolas privadas muito boas, pedagogicamente.

Ponto segundo, o mesmo se aplica na negativa.

Ponto terceiro, deve haver liberdade de escolha sempre pagando pelo serviço privado pedagógico. Se os pais não puderem pagar na totalidade, poderão pagar de acordo com os rendimentos.

Ponto quarto, distribuição equitativa de alunos para ambos os lados.

Ponto quinto, há escolas públicas que necessitam de obras urgentes, como é o caso do Liceu Camões, uma excelente escola pública.

Último ponto, é preciso pensar para além do quadrado, para além das metas, dos objetivos específicos, dos tempos letivos, das componentes letivas e não letivas, pensando-se numa escola de futuro em Portugal.

Qual deverá ser essa escola?

Há um ano um professor português ( diretor de uma escola privada)explicou brilhantemente para uma plateia de mais de 400 professores de uma escola pública como se pensa para além da pedagogia do quadrado, limitadíssima às quatro paredes de uma sala de aula.

Também há um ano uma professora mostrou-me ,radiante, como tinha instalado um laboratório de ciências físico-químicas, com o equipamento que ia ser deitado fora após as obras da Parque Escolar num  liceu muito antigo do centro de Lisboa ( esse liceu doou generosamente este equipamento), numa escola pobre na zona de Loures donde se avistavam os aviões ou como andava com um GPS marítimo a ensinar localizações aos alunos mais novos.

Portanto, é possível pensar para além do quadrado de ambos os lados.

A Comissão Europeia e o Programa Pestalozzi já o fazem, tentando mudar mentalidades.

Leia aqui sobre a Educação para a Democracia e aprenda sobre a nova formação para professores criada pela Comissão Europeia.

ao meu professor de Português, António Leitão ( in memoriam)

@mmalheiro

 

 

publicado às 12:19

# Eu hoje venho aqui a falar (feat. Sérgio Godinho)

46afc31151d0ac297b199ee713cc9a09.jpg

                                   in whatisajanis.tumbir

                                                   https://www.youtube.com/watch?v=olkkC2kcCyY&hd=1

           "Eu hoje venho aqui falar

duma coisa que me anda a atormentar
e quanto mais eu penso mais eu cismo
como é que gente tão socialista
desiste de fazer o socialismo
é querer fazer arroz de cabidela
sem frango nem arroz nem a panela

                                                                   

  Eu hoje venho aqui falar
duma coisa que me anda a atormentar
e quanto mais eu penso mais eu vejo
que esta grande obra de reconstrução
parecemas é uma acção de despejo
é como para instalar uma janela
atirar primeiro os vidros para a viela

Eu hoje venho aqui falar
duma coisa que me anda a atormentar
e penso e vejo de todas as cores
já libertaram pides e bombistas
deve ser para lá por trabalhadores
é como lançar cobras na cidade
e pôr dentro dentro da jaula a liberdade

Eu hoje venho aqui falar
duma coisa que me anda a atormentar
e vejo e de ver tiro conselho
aquilo que é mesmo reforma agrária
é para alguns o demónio vermelho
esses querem é ver anjos cor-de-rosa
entre Castro Verde e Vila Viçosa

Eu amanhã posso não estar aqui
mas também, para o que eu aqui repeti...
é que eu não sou o único que acho
que a gente o que tem é que estar unida
unida como as uvas estão no cacho
unida como as uvas estão no cacho".

Sérgio Godinho, Venho aqui falar

( todos os direitos reservados a Sérgio Godinho)

ao cantor Sérgio Godinho,

em véspera de aumento da taxa de desemprego ( ai os números...)

@mmalheiro

 

publicado às 19:31

# Teoria da relatividade docente

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                                                                 em dancerslist.tumblr.com

                                       no dia em que se fica a saber que mecânica, kilometragem, resiliência e profissão docente estão interligadas: um professor para ficar efetivo tem de percorrer milhares de kms, sem ajudas de custo, por amor à profissão e para sobrevivência no sistema e mercado laboral. implica ter uma frota de viaturas à medida. 

conduzir bem é preciso.

@marinamalheiro

                                 

publicado às 18:13

# Trabalho (in)docente

quanto mais o tempo avança sobre nós e os outros que acompanham a nossa luta (in)docente,  mais nos apercebemos de que está tudo errado. 

as consequências de um erro no sistema são as mesmas de um bug informático: aniquilam tudo, até a motivação em continuar numa profissão de importância única no percurso individual de cada um.

talvez se tenha de deitar o sistema abaixo e reconstruir uma nova ideia de ensino, assente em valores essenciais de estrutura firme e perene.

implicará toda a sociedade. será que Portugal ainda se interessa em recuperar o sistema?

@mm

publicado às 12:28

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