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Blog de escrita nas horas extra dos dias

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# Meter o chico #

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all rights reserved to Sally West.

há dias um familiar contou episódios engraçados do tempo da tropa, antes do 25 de abril. falou em expressões únicas da gíria militar que podem ser aplicadas a outros contextos atuais,por exemplo, "meter o chico".

esta expressão tão simples e irónica significa "passar à reserva". muitas vezes nos questionamos quando devemos passar à reserva de uma profissão, por exemplo, quando atingimos quatro mãos cheias de trabalho, vinte anos de vida. será que podemos "meter o chico" , arriscar , e "desenfiarmo-nos" noutras andanças laborais mais apelativas?

@mmalheiro

publicado às 15:38

# Do ritmo circadiano de um trabalhador

Hoje surgiu a notícia (Fonte:LUSA) de que a Fenprof pediu ao Ministério Público para averiguar a morte repentina de três professores: uma em Manteigas em plena sala de aula, outra na Covilhã em serviço oficial ( corrigia as Provas de Aferição) e outro em Odivelas ( enviava as classificações por email). Como professora considero chocante esta notícia e lamento muitíssimo pelos meus colegas.

Há cerca de 7 meses um familiar meu teve um ataque cardíaco fulminante em pleno local de trabalho , num prestigiado Banco português. Com apenas 53 anos o  excesso de trabalho,- ter muito stress-, foi a justificação dada aos familiares diretos. Colegas que assistiram impotentes à sua hora fatal e tentaram por todos os meios a reanimação estão ainda de baixa psiquiátrica, a família ainda em choque com a perda inesperada.

Tanto no caso dos colegas como do meu familiar o problema é o mesmo: a doença do séc. XXI ,  o burnout.Primeiro, o excesso de trabalho quer a nível de procedimentos burocráticos no caso dos professores- que, muitas vezes se apresenta pela duplicação ou triplicação de procedimentos, nada "simplex" ,  tudo muito inclusivo, com muitas medidas universais, adicionais, etc. Depois, a disponibilidade do professor/ trabalhador- contactável via email, telefone, pessoalmente, fora do horário de trabalho, aos fins de semana, feriados ( obrigada a quem inventou o modo reencaminhamento do email oficial...).

Segue-se o trabalho que se leva para casa. No caso de um trabalhador da área financeira, passa pelo trabalho em modo controlo remoto, fora das horas de expediente. No caso de um professor há também muito trabalho- quer na preparação das aulas, preparação de reuniões, correção de testes de avaliação e todo o tipo de instrumentos de avaliação aplicáveis, correção de provas de aferição, exames nacionais, etc e plataforma informática. Onde fica a vida pessoal? Tem de ser meticulosamente programada como a escala de Bancos dos médicos.

O cumprimento do dever por parte de um trabalhador não é consentâneo com faltas por motivo de doença do próprio, dos familiares diretos ( pais, por exemplo) ou de filhos menores ( até aos 12 anos). Muitas vezes isso é visto como uma fraqueza por parte do trabalhador. Mau para a sua avaliação de desempenho. Por isso, os professores e todos os trabalhadores cumpridores ou entram em burnout ou partem fatalmente. Uma tragédia. 

Há 10 anos numa escola onde dei aulas e donde se avistava a pista 5.2 do Aeroporto de Lisboa lembraram-se de criar aulas de Yoga para professores, depois do serviço. No meu caso não corria muito bem , pois no meio do Ooomm só pensava na lista de compras do supermercado e não desligava. Foi nessa época que comecei a caminhar e a correr, primeiro na pista do Guincho, depois no paredão de Oeiras, fizesse sol ou chuva, seguindo as passadas de Murakami. Há três anos a cardiologista  recomendou-me muita caminhada e melatonina ( na versão natural)- sentir o coração como que a saltar-nos pela boca é aflitivo. Mais do que aflitivo. Responderem-nos-  tive um problema cardíaco - e então?- revela a perfeita desumanidade do meio laboral. 

Eu e muitos colegas não conseguimos este ano, nem correr, nem caminhar, nem esticar as pernas entre testes, reuniões de encarregados de educação, reuniões , papéis, papéis, papéis. Submergidos em papéis.

Valeu-me a alegria dos meus e a noção de que a saúde para viver e para os criar está acima de tudo, até do trabalho.

Aos meus colegas professores

Ao meu primo Xana, in memoriam

@mmalheiro

publicado às 23:33

# Do artigo 73.º da CRP e das quotas

Consta da Constituição da República Portuguesa o artigo 73.º e, na Lei Constitucional de 1/92 de 25-11-1992 , que preconiza o direito à Educação, a saber:

 " 1. Todos têm direito à educação e à cultura.
   2. O Estado promove a democratização da educação e as demais condições para que a educação, realizada através da escola e de outros meios formativos, contribua para o desenvolvimento da personalidade, para o progresso social e para a participação democrática na vida colectiva. 
  3. O Estado promove a democratização da cultura, incentivando e assegurando o acesso de todos os cidadãos à fruição e criação cultural, em colaboração com os órgãos de comunicação social, as associações e fundações de fins culturais, as colectividades de cultura e recreio, as associações de defesa do património cultural, as organizações de moradores e outros agentes culturais. 
 4. A criação e a investigação científicas, bem como a inovação tecnológica, são incentivadas e apoiadas pelo Estado."

Portanto, o número 1 deste artigo é um argumento de "tipo" universal marcado pelo pronome indefinido no plural " todos". Se assim é, qual a necessidade de se criarem quotas para grupos minoritários no acesso ao ensino superior. ? Esta questão tem levantado vozes à direita  e à esquerda , tendo sido publicado um artigo de opinião polémico e "bonifácio" q.b,com reações de perigosa anuência e reações de total discordância .

Em que medida a discriminação positiva poderá ser utilizada para a aplicação de medidas falaciosas? O acesso ao Ensino Superior deverá ser pelo mérito , obtido através de exames ou provas de acesso. Essas provas específicas de acesso devem manter-se. De outro modo, cair-se-á no facilitismo e depois que gerações futuras teremos?

O mérito é aplicável a todos , a todos os estudantes de todas as origens, mulheres ou homens, todos os estudantes portugueses ou estrangeiros.

@mm

 

 

publicado às 00:33

# Da vida numa bolha- a Educação ( feat. Madness)

há dias assim: de manhã leio um artigo de um padre em picardia com um secretário de Estado, à hora de almoço cai no meu email um blog novo de um professor, de carreira feita, provavelmente num escalão aceitável para viver tranquilamente e que subitamente se cansou de tudo e meteu Licença sem Vencimento de Longa Duração. O que este professor escreve é demonstrativo da absoluta verdade, fora de uma bolha que querem parecer aos outros "perfeita", a da Educação. Se os relatórios da OCDE e do CNE revelam aquilo que já se sabe, que há uma classe docente envelhecida e cansada, sem renovação de quadros, com candidatos a docentes de carreira com vinte anos de serviço, no lado da "bolha educativa" há a visão fantástica de disciplinas de projeto de cidadania, de dispensa de três horas aos funcionários públicos no primeiro dia de aulas dos filhos, de passes familiares em autocarros com menos cadeiras ou comboios a abarrotar de gente, de uma escolaridade obrigatória menos exigente, sujeita a domínios de aprendizagens essenciais, em que o acesso à informação é totalmente "simplex" nada "complicadex" -com algum interesse  como há 25 anos atrás -quando se tinha de pesquisar mesmo  para aprender. Que geração será esta no futuro? uma geração em que lhes é transmitido que tudo é fácil,  que não é necessário grande empenho para transitar de ano, em que o respeito pelo outro- professor, pais, funcionários, qualquer um- é algo tão mínimo e relativo que se dissipa pelo tempo. lembro-me da minha professora de História do 12º ano nos ter dado ,no ínicio do primeiro período, três páginas de bibliografia para pesquisarmos e estudarmos. pensámos na altura que era uma megera insana. no primeiro ano da Faculdade e seguintes a história era igual. É questionável, então, se há tempo por parte do aluno para a aquisição plena dos conhecimentos e para uma perspetiva crítica sobre os mesmos ou se serão mais importantes os papagaios de papel que se lançam numa praia, em prol de um projeto de escola. 

Fica aqui ,para seguir , o Blog https://lsvld.blogspot.com/.

Música dos Madness- all rights reserved to Madness.

 

@mmalheiro

 

publicado às 12:27

#Viver é cada vez mais uma sorte

Susan Sontag no seu Olhando o sofrimento dos outros, Quetzal, 2015, aborda o papel do "espetador de calamidades".

Infelizmente somos agora todos espetadores de calamidades por constante divulgação de imagens, de palavras, de sons, de registos de factos trágicos.

Se há mais de um mês a falta de meios, de coordenação, o pânico, as situações meteorológicas, causaram  tragicamente a perda de  vidas em Pedrógão Grande, hoje um acidente de avião numa praia colheu (inacreditavelmente) pessoas que estavam a aproveitar um simples dia de Verão.

Pode, de facto, acreditar-se numa linha ténue do acaso, incontrolável e desconhecida, mas, ao mesmo tempo, pode questionar-se se a incúria pode aparecer aos olhos de quem observa, testemunha in loco, como um mero acaso.

@mmalheiro

publicado às 20:24

# A vida em modo economia

A vida

em modo Economia

poupa-te lá

poupa o coração

poupa o corpo

as pernas

a estrutura

 

A vida em modo Economia

poupa lá a má disposição

sorri sempre

mesmo que chova

mesmo que sejas chuva

 

 

não te desperdices

com o que não interessa

À matéria coletável

 

sopra a imaterialidade para o lado

assobia  ao deve e o haver dos dias

não contabilizes os dias maus

poupa as palavras

gasta apenas as necessárias

apaga os verbos incontáveis

em suma

não somes

ufa!

uma chatice a vida em Economia!

sorve os cálculos todos, a trigonometria, a Física Quântica, a Filosofia, a Literatura

soma

soma sempre

acumula tempo, Amor, sabedoria!

@mmalheiro

 

 

diminui

publicado às 19:34

# Um nicho de mercado chamado Homem

5b6ac6fdd2e6ed52ede0884c541082b3.jpg                                             foto de blog.brancoprata.com

a ideia central que subjaz a toda a criação empreendedora é a inovação; um nicho de mercado intocado e lucrativo. junte-se agora também a ideia da utilidade , usabilidade e acessibilidade e aguarde-se o fervilhar do negócio. para isso é precisa uma extrema resiliência e capital q.b. .

neste momento, criar tudo o que facilite a vida ao Homem, mesmo que não precise nem tenha pensado nisso, é a chave de tudo. [ como se fosse necessário pensar constantemente na utilidade das coisas e não apenas vivenciá-las.] paradoxalmente criar produtos de facilitação diminui exponencialmente a empregabilidade.

[ precisaremos de tanta coisa? criar significados, dizia um poeta, é vital. criar postos de trabalho, acrescento, é o fio de prumo da economia. tem de ser.]

ainda bem que alguém inventou a música, sempre a criar significados em nós.

@mmalheiro

 

publicado às 16:39

# Da transversal à avenida da liberdade

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                                 [O tempo corre lesto. Há, no entanto, falhas cansativas no sistema criado por outros, afetando o ritmo circadiano dos dias. A viagem prossegue até ao próximo semáforo. Sempre verde, espera-se.]

@mmalheiro

publicado às 17:07

# Da gestão do caos

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                                                              in allposters.br

[ interrupção breve da sabática de escrita estival:. para se gerir o caos em qualquer situação, quer seja num aeroporto internacional, quer seja numa empresa, numa casa ou na vida diária, tem de se ter uma "inteligência lisa" como a água "lisa" ,sem ondulação, do mar.

Assisti um dia à gestão do caos numa loja de uma grande empresa, por parte de um CEO que passava por ali, por mero acaso. Em 10 minutos ficou tudo resolvido. Simples.]

As únicas coisas que evoluem por vontade própria numa organização são a desordem, o atrito e o mau desempenho.

Peter Drucker

@mmalheiro

publicado às 20:11

# Da Física ( feat. The Cure)

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                                         Foto de Hubpages

                                        um brinde à Física que embala no seu Caos um encontro de almas.

                                        [ ao J. , com amor].

                                        @mmalheiro

publicado às 23:11

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