Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

horas extra

Blog de escrita nas horas extra dos dias

horas extra

Blog de escrita nas horas extra dos dias

# Dos dias futuristas

Ontem, Lisboa, 2020. 102 anos após a gripe espanhola.

Não ia a um hospital há mais de três meses, desde que começou a pandemia. 

Cá fora , junto à porta das urgências, devidamente distanciados, vários acompanhantes de doentes, eu incluida, todos de máscaras, numa normalização estranha. 

Entro na 2ªporta para perguntar pela minha familiar . Questiono a funcionária se posso ficar naquela sala . Diz-me bem alto- " é melhor não , aqui ficam os suspeitos de Covid-19". Ui, vou já sair , respondo.

Junto a esta porta ,quando se sai, há um sinal com uma seta enorme ( Covid Positivo). Essa entrada do Covid Positivo tem um ar decadente e funesto. Muito funesto.

Ambulâncias entram e saem. Numa os médicos estão todos equipados com os fatos brancos, viseira e máscara. Numa maca uma senhora de idade.

No meio disto tudo, vagabundos, pessoas meias ébrias, estrangeiros sem máscara - que dizem bem alto - isto é um atalho e riem-se, passa uma ambulância que diz " transporte de doentes não urgentes". Quando vejo os condutores dessa ambulância tenho consciência da gravidade de tudo isto. Estão equipados de amarelo , de óculos e viseira, não parecem humanos, parecem saídos de um qualquer filme de ficção científica. Fazem a curva à minha direita com enorme destreza, a mesma com que encaram , certamente estes dias futuristas.

Retiro a minha familiar da urgência, é doente de alto risco e está numa sala de espera, desesperando há horas por um atendimento aparentemente seguro. 

Segurança é realmente a palavra-chave neste momento.

@mmalheiro

 

publicado às 10:14

# O país da passividade

Ontem num hospital da zona de Sintra esperei com uma familiar direta mais de 10h por um atendimento urgente.

De acordo com o sistema da triagem de Manchester, uma "pulseira amarela" é urgente e uma "pulseira laranja" muito urgente. Ontem o tempo de espera dos "urgentes" foi superior a 10 h. 

Os verdinhos galopavam rapidamente. "Medicina", por contraste, tinha 200 doentes para atender perto da uma da manhã.

Passivamente várias pessoas, maioritariamente de idade avançada, aguardaram a sua vez. Muitos entraram na urgência geral às 10h e saíram à uma da manhã do dia seguinte.

Lá dentro havia médicos em passeio, enquanto doentes esperavam , talvez com uma "capacidade budista". Na mudança de turno houve quem ficasse sem médico atribuído. Doentes dormiam já , não em macas, mas em frios bancos metálicos. Há anos uma familiar minha que tinha um problema cardíaco ficou no corredor deste hospital durante horas, sem assistência. 

Questionei uma familiar para saber se achava este funcionamento "normal".

Quando disse alto mas educadamente que descontamos no vencimento para um atendimento "como deve ser" senti olhares de reprovação. "Ui, uma rebelde".

Foi para isso que foi criado o SNS.O  Direito à saúde é o que está escrito na CRP há mais de 40 anos.

Obviamente quem faz dupla tributação para a SS e ADSE escolhe um hospital privado mas muitas vezes também não há especialidades ou máquinas a funcionar em pleno.

Em França há uma greve geral. Às vezes gostava de ser "francesa".

@mmalheiro

 

publicado às 22:15

Mais sobre mim

imagem de perfil

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2019
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2018
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2017
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2016
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2015
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D

Facebook